“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”

 Fiquei algum tempo lá sentada saboreando a lembrança de cada dia que ali estive  com ele.
Aquele local nos serviu de ponto de encontro inúmeras vezes, inclusive do primeiro e último.
Curiosamente sinto falta de esperar por ele. Era ótimo sentir a ansiedade ocasionada pela espera acabar instantaneamente assim que ele surgia caminhando na minha direção.
Nesse instante abraça-lo era provar um pouco do paraíso.  A pele dele suavemente úmida, declarava que ele mais uma vez havia andado rápido demais na tentativa de não me aborrecer com mais um atraso.
O abraço forte e quente dele fazia com que eu me sentisse querida e protegida, nesse momento o inebriante cheiro cítrico de fruta dele, algo semelhante a laranja, ou melhor, a kiwi, era mais acentuado, e eu inspirava fundo deixando aquele cheiro doce me acalmar.
Quando ele me permitia sair do forte abraço, eu o olhava nos olhos, os olhos mais lindos  que já vi, e então qualquer raiva, qualquer aborrecimento, qualquer mágoa, qualquer coisa mesmo era por mim esquecida.
Algumas vezes eu me dava o prazer de apenas fita-lo, primeiro a barba que eu tanto adorava esfregar meu rosto e depois os lindos lábios vermelhos que eu gostava  ver retomar a cor aos poucos após ele os umedecer na pausa de alguma conversa. Mas meu maior prazer consistia em lhe fitar os olhos.
Acredito que ele nunca notou a força que o olhar dele exercia sobre mim, geralmente sou inflexível quando brava, mas mesmo aborrecida, bastava fixar meus olhos nos dele uns poucos segundos que tudo deixava de ter importância, desde que eu pudesse continuar a ver tais olhos.
Sinto falta da voz cheia de ternura dele, e das breves alterações de humor que ele demonstrava quando eu o aborrecia. Também sinto falta da maneira sem qualquer entusiasmo dele ao falar “que legal” ou qualquer outra coisa do tipo quando eu estava animadamente contando-lhe alguma coisa, sinto falta até da maneira chata dele de dizer “tá”, assim mesmo só “tá”, quando queria acredito eu encerrar um assunto, mania essa por sinal que tanto me irritava.
Gostaria de poder ceder, de repente a saudade ficou quase insuportável.
PS.: Não gostei desse texto, li várias vezes e quase desisti de colocar ele aqui… acho que estou precisando de um diário de verdade.

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: