Arquivo para maio, 2012

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”

Posted in Meu querido diário on 28/05/2012 by Natalie
 Fiquei algum tempo lá sentada saboreando a lembrança de cada dia que ali estive  com ele.
Aquele local nos serviu de ponto de encontro inúmeras vezes, inclusive do primeiro e último.
Curiosamente sinto falta de esperar por ele. Era ótimo sentir a ansiedade ocasionada pela espera acabar instantaneamente assim que ele surgia caminhando na minha direção.
Nesse instante abraça-lo era provar um pouco do paraíso.  A pele dele suavemente úmida, declarava que ele mais uma vez havia andado rápido demais na tentativa de não me aborrecer com mais um atraso.
O abraço forte e quente dele fazia com que eu me sentisse querida e protegida, nesse momento o inebriante cheiro cítrico de fruta dele, algo semelhante a laranja, ou melhor, a kiwi, era mais acentuado, e eu inspirava fundo deixando aquele cheiro doce me acalmar.
Quando ele me permitia sair do forte abraço, eu o olhava nos olhos, os olhos mais lindos  que já vi, e então qualquer raiva, qualquer aborrecimento, qualquer mágoa, qualquer coisa mesmo era por mim esquecida.
Algumas vezes eu me dava o prazer de apenas fita-lo, primeiro a barba que eu tanto adorava esfregar meu rosto e depois os lindos lábios vermelhos que eu gostava  ver retomar a cor aos poucos após ele os umedecer na pausa de alguma conversa. Mas meu maior prazer consistia em lhe fitar os olhos.
Acredito que ele nunca notou a força que o olhar dele exercia sobre mim, geralmente sou inflexível quando brava, mas mesmo aborrecida, bastava fixar meus olhos nos dele uns poucos segundos que tudo deixava de ter importância, desde que eu pudesse continuar a ver tais olhos.
Sinto falta da voz cheia de ternura dele, e das breves alterações de humor que ele demonstrava quando eu o aborrecia. Também sinto falta da maneira sem qualquer entusiasmo dele ao falar “que legal” ou qualquer outra coisa do tipo quando eu estava animadamente contando-lhe alguma coisa, sinto falta até da maneira chata dele de dizer “tá”, assim mesmo só “tá”, quando queria acredito eu encerrar um assunto, mania essa por sinal que tanto me irritava.
Gostaria de poder ceder, de repente a saudade ficou quase insuportável.
PS.: Não gostei desse texto, li várias vezes e quase desisti de colocar ele aqui… acho que estou precisando de um diário de verdade.
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Soneto da separação – Vinícius de Moraes

Posted in Para Refletir on 22/05/2012 by Natalie

Imagem

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

K-Pax – O Caminho da Luz

Posted in Filmes on 12/05/2012 by Natalie
Parecia um dia qualquer dentro de uma estação de trem, mas uma confusão leva a um estranho, recém chegado do “nada” a ser levado para um Instituto Psiquiátrico.

O filme dá um grande valor a socialização, aos laços familiares e as amizades!
Nele há várias comparações entre o mundo de Prot (perfeito, sem leis, sem crimes, sem doenças, sem famílias) e o mundo dos humanos (cheio de leis, crimes, um querendo mandar nos outros e diversas características incomuns ao planeta k-pax).Em k-pax, o planeta perfeito, ninguém depende de ninguém para sobreviver. Mas todos estão constantemente trocando experiências através da observação.
Enquadrar este filme a um único gênero, talvez seja um erro, pois apesar de o tema basear-se numa ficção dramática, ele é envolvido por uma história cheia de suspense e até alguns
traços de comédia.O filme além de divertir com sua história misteriosa, traz uma moral de história bem legal.
E, para fechar o filme, Prot alerta sobre algo a mais que os experientes k-paxianos já sabiam a milhares de anos atraz:
– Cada erro que você cometer, terá de aprender a conviver com ele. Terá de 
conviver com ele para sempre!
Então o seu conselho era: “Resolver tudo agora…
…pq o agora é tudo o que você tem!
By  Isaac Ferreira

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A Amélie que me perdoe, mas o que parecia impossível aconteceu, encontrei um personagem a altura dela. Port é um personagem sensacional, que nesse momento me 
encheu de vontade de ser e agir diferente. 
Minha parede merece mais uma imagem em tamanho 13×18 cm. Port ficará ao lado de Amélie.

Todos Os Verbos – Zélia Duncan

Posted in Música on 11/05/2012 by Natalie

Errar é útil
Sofrer é chato
Chorar é triste
Sorrir é rápido
Não ver é fácil
Trair é tátil
Olhar é móvel
Falar é mágico
Calar é tático
Desfazer é árduo
Esperar é sábio
Refazer é ótimo
Amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo
E nele sempre cabem de vez
Abraçar é quente
Beijar é chama
Pensar é ser humano
Fantasiar também
Nascer é dar partida
Viver é ser alguém
Saudade é despedida
Morrer um dia vem
Mas amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo
E nele sempre cabem de vez

Saudade…

Posted in Para Refletir on 11/05/2012 by Natalie

Nada nesse mundo tem mais toneladas do que a saudade, nada. Saudade é uma dor imensurável e sufocante presente em cada hiato. É sentimento abstrato que esmaga o peito como se fosse concreto. A saudade é a vírgula quilométrica enraizada entre dois pontos, dos muitos textos que a vida infelizmente pausa por falta de prosa e até pelo excesso de rosas. Saudade afia os ponteiros do relógio, transforma poucas horas em cortes profundos, dominados por flashbacks com ardor de álcool cuspido sobre ferida aberta, aparentemente incicatrizável. A saudade nos afoga com as águas calmas do passado, desfoca o presente e congela o futuro como faz o frio polar de uma nevasca.

A saudade transforma qualquer música em motivo para pensar naquilo que partiu dentro de um avião, que nunca deveria decolar, nem por decreto do Papa. Saudade é emoção indivisível, razão incontestável para relembrar o gosto inesquecível daquela pessoa que mudou nossos passos, gestos e hoje, infelizmente nos considera gasto, empoeirado. A saudade é a sombra maldita que não precisa da luz solar para nos seguir por cada calçada da vida. Ela repousa num banco de passageiros vazio, dorme em nossa insônia, esconde-se nos presentes que prendemos em caixas lacradas, blindadas pelo medo de encarar as memórias boas.

Ela transforma comercial de televisão em lágrimas reais, faz homem barbado virar menino ansioso em dia de natal, como um cachorro que espera o dono todo dia ao pé da porta, mesmo que esse nunca mais volte pra casa. A saudade enlouquece, embriaga, faz o mundo todo ter uma só cara e nenhuma cura. A saudade é um bar que já saiu rotina, um prato de risoto que foi comido antes do gozo, um beijo único no meio do olho. É o medo de perder uma peça em meio à multidão e nunca mais encontrar outro alguém que encaixe tão bem nesse quebra-cabeça. Saudade é temer a vinda do novo e teimar em achar que o velho sempre será a melhor parte dessa obra de arte, chamada vida.

A verdade nua e crua é que ninguém nesse palco real está imune ao pesar da saudade, a dor latejante das inevitáveis partidas e aos planejamentos que talvez permaneçam inacabados até o fim da vida, esquecidos numa lista eternamente guardada no fundo da gaveta, mas nunca jogada fora. Desconheço alguém nesse universo grandioso que não tenha perdido o chão, a cabeça, a pose e até mesmo a sanidade quando deu de cara com esse tal sentimento com aparência de muralha intransponível e cheiro de fotos velhas. Não existe colete à prova de saudade, nem formas de blindar nossa vida dos estilhaços daquilo que vai e nem sempre volta.

Sendo bem sincero, existem sim algumas dicas para quem não quer esbarrar com a saudade: recuse toda e qualquer alegria que te faça gargalhar até sentir dor nos músculos da barriga, nunca se envolva com pessoas capazes de colorir teus dias mais cinzas e chuvosos, coma tudo sem sal e sem tempero, não viaje, não saia de baixo do edredom por nada, não beije nem na bochecha, não faça sexo e em hipótese alguma conheça seus avós se a vida lhe der essa oportunidade imperdível.

Não sei vocês ilustres leitores, mas eu prefiro carregar essas mil toneladas de saudade, ainda que em meio a lágrimas e memórias martelantes, pois só assim terei a certeza que estou vivo de verdade, sem talvez, nem porém. Afinal, saudade é corpo de delito das coisas boas da vida.

http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/05/07/aquela-coisa-chamada-saudade/

“A dor acostumada, não se sente.” Camões

Posted in Meu querido diário on 09/05/2012 by Natalie

Dicionário Priberam: AUTISMO: s. m. [Medicina] Estado mental caracterizado pela tendência a alhear-se do mundo exterior e ensimesmar-se.

Modo Autista por opção, ATIVADO.

 

Sempre fui muito chatinha antissocial e introvertida. Cheguei a tentar tratamento psicológico com a intenção de melhorar isso, no entanto parei quando minha mãe disse ” Talí, não há nenhum trauma que justifique seu jeito de ser, você sempre foi assim. Tanto que quando você era bebê eu te colocava para brincar com bebês da sua idade, filhas de amigas minha, mas após alguns instantes, você pegava seu brinquedo e engatinhava para um canto onde pudesse brincar sozinha.”

Nos últimos dias estou cada vez mais reflexiva, e isso infelizmente faz com que eu me mostre distante e fria com pessoas queridas.

Contudo, felizmente a dor está cada vez menor. Agora posso dizer que nem mesmo a sinto. Mas a sensação de ter esquecido algo ainda me acompanha.

PS.: Há males que vêm para o bem. No sábado roubaram meu celular, e apesar de a princípio ter ficado um pouco agitada, logo notei que isso foi bom. Digo isso porque agora não há como eu ficar com o coração palpitando cada vez que escuto o barulhinho de “nova mensagem”.

‘Sem você as emoções do amanhã serão apenas pele morta das emoções do passado.’

Posted in Meu querido diário on 01/05/2012 by Natalie

Estranho. Muito estranho. Ainda não derramei uma lágrima. De repente elas secaram.
Nem mesmo posso dizer que estou sofrendo. Sinto-me fria, indiferente e amarga.
Penso nele todos os dias. Sabe quando saímos de casa às pressas e ficamos com aquela sensação de termos esquecido algo? então… É isso o que sinto a todo momento.
Hoje faz uma semana que não tenho qualquer contato com ele, era para eu estar sufocando de tanto chorar, morrendo de dor ao sentir meu coração ficar do tamanho de uma azeitona. No entanto estou aqui incapaz de chorar… Completamente perdida.
Entre tantas fotos na minha parede, as dele ainda estão lá… Sei lá, não quis tirar. Quando olho para elas, sinto um aperto na garganta, penso que o choro virá para me trazer algum alívio, mas nada acontece.

Bom, hoje mais uma vez assisti o filme da Amélie, e descobri informações que nunca havia notado. Tais como, Amélie tem 23 anos no filme, sim 23; isso é dito tão brevemente numa cena em preto e branco que não é de se estranhar eu nunca ter notado antes. Outra informação é… Amélie foi concebida em 03.09.1973, isto é 3+9+1+9+7+3=32 portanto 23 ao contrário. Ao notar isso, quis enviar um sms para ele e dizer mais essa bobagem contendo o número 23, mas daí lembrei que não posso fazer isso, recordei que preciso continuar conseguindo me conter.

Infelizmente noto que tentar acabar com essa paixão será mais difícil do que imaginei, é quase impossível esquecer ele.

Por falar em quase, o horário da concepção da Amélie é 18:28:32 portanto 1+8+2+8+3+2 é igual aaaaaah ? 24 … É neste caso foi por pouco, quase também deu 23.

PS.: Sobre o número 23 https://nataliesantos.wordpress.com/2007/10/21/numero-23/